Na ponta do lápis #8: Notícia de um desmanche

paulista18Assim como em 2016, 2018 teve início como um ano promissor. O Corinthians acabara de ser campeão brasileiro e jogava de longe o futebol mais competitivo do Brasil. Tanto era assim que não havia jeito de o jogo do Palmeiras encaixar do Corinthians. Era só os dois clubes se enfrentarem para todas as certezas da mídia com relação ao Palmeiras caírem por terra.

A conquista do Campeonato Paulista em pleno campo do adversário provou isso. Mais uma vez. Tudo apontava para o potencial de grandes conquistas, ou no mínimo a confirmação de mais um ano com o Timão entre os favoritos do maltratado futebol nacional. Mas ninguém contava com a astúcia de Andrés Sanchez e a repetição da burrada de dois anos antes. O presidente do clube autorizou um desmanche que transformou o bom elenco corinthiano em um apanhado de jogadores. Tia Leila e o palhaço carequinha no comando do Corinthians não teriam sido tão ousados.

Se em 2015 mais de 20 jogadores foram liberados após a conquista do hexacampeonato, este ano, além do melhor jogador do time, Rodriguinho, até o técnico Fábio Carille e sua comissão técnica foram liberados para “novos desafios”. A diretoria não fez questão de segurar ninguém. Chegou, levou.

Não faltaram momentos memoráveis no primeiro semestre: a quebra da invencibilidade palmeirense, o título paulista conquistado em pleno Parque Antártica, a goleada história sobre o Lara na Libertadores e o empate no retrospecto contra o Palmeiras pela primeira vez em quase meio século.

Consta que Sanchez não gostava de Carille e achava que qualquer um faria o mesmo trabalho que ele. Mas sem material humano, nem Tite nem Guardiola dariam muito jeito no Corinthians em 2018. Veio Osmar Loss e foi ruim. Chegou  Jair Ventura e foi muito pior.

O amadorismo da diretoria somado ao desempenho dos dois técnicos levou o Corinthians a uma campanha que só não terminou em rebaixamento por causa de uns pontinhos conquistados antes da saída de Carille, quando o Timão ainda disputava um lugar no alto da tabela.

Não fosse isso estaríamos falando em Série B agora. Para se ter uma ideia, ao fechar 2018 com 28 derrotas em 77 jogos, o Corinthians teve seu segundo pior ano em número bruto de derrotas em toda a sua história, superado apenas pelos 33 reveses do ano 2000, outro ano no qual um bom primeiro semestre foi sucedido por um segundo semestre desastroso.

Apenas como base de comparação, em 2007, quando acabou rebaixado, o Corinthians perdeu 23 partidas, ainda que num universo menor de partidas: 64.

Em Itaquera, o desempenho em casa foi o pior desde a inauguração da Arena. E tudo isso graças a um segundo semestre desastroso.

Agora Jair Ventura foi demitido e o retorno de Carille é dado como certo. Caso se confirme, ele retorna ao Timão com mais bagagem e responsabilidade, sim. Mas é bom saber que Carille é técnico de futebol, e não milagreiro. Se persistirem o amadorismo da diretoria e a falta de coesão na composição do elenco, é melhor não esperar muito de 2019.


 

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