2016, um ano para se aprender com os erros

andradeO Corinthians iniciou 2016 cercado de elevadas expectativas. Afinal, o Timão terminou 2015 campeão brasileiro jogando um bolão e protagonizando uma campanha repleta de recordes. Na virada do ano, a conversa era de favoritismo e briga pelo título no Paulista, na Libertadores e no Campeonato Brasileiro. Mas ninguém contava com a incompetência de uma diretoria que, alegando a necessidade de economizar, dispensou mais de 20 jogadores em um intervalo de apenas oito meses, incluindo praticamente todo o time titular de 2015.

Economia burra – No afã de reduzir gastos, o presidente Roberto de Andrade fez uma economia burra daquelas, boa somente para virar exemplo de algum manual sobre o que não se deve fazer à frente de um clube como o Corinthians. Quem teve proposta saiu, inclusive o símbolo Ralf, em meio a multas irrisórias. Nunca se viu um desmanche voluntário dessa proporção em um time de primeiro escalão do futebol.

Ainda assim, enquanto Tite esteve à frente do time, o desempenho foi até razoável. O problema é que Tite é um técnico espetacular, mas não faz milagre. No Paulista, a eliminação veio nos pênaltis da semifinal para um Audax sobre o qual não pesava nenhuma responsabilidade nas costas. Na Libertadores, eliminação para o Nacional do Uruguai por causa dos gols sofridos em casa, e com direito a pênalti perdido.

A culpa é do técnico? – Veio o Brasileirão e o Corinthians chegou até a liderar. Mas então apareceu a selecinha e levou Tite, jogando a pá de cal sobre o desmanche. Cristóvão Borges chegou para o lugar de Tite e nem teve tempo de trabalhar. Como se o desmonte do elenco fosse responsabilidade dele. Então o comando passou para o interino Fábio Carille, que primeiro iria ficar até o fim do ano e depois não ia mais. Por último, Roberto de Andrade passou a bucha para Oswaldo de Oliveira, que certamente vai pagar o pato da incompetência da diretoria.

daroncoApito inimigo – Ainda que possamos comprovar um prejuízo de mais de dez pontos em sucessivos erros de arbitragem contra o Timão, o clima no elenco ficou tão ruim que nunca antes eu vi um Corinthians tão apático em campo quanto o do último semestre. Técnico nenhum trabalha sem jogador. Pior ainda quando o elenco sabe que é descartável e sabe que não foi dispensado porque a diretoria não encontrou quem levasse.

A economia burra de Roberto de Andrade pode até ter cortado alguns gastos, mas dilacerou as receitas. Em campo, o público foi diminuindo, e consequentemente as milionárias rendas de Itaquera. Até salário o Corinthians chegou a atrasar. Para se ter uma ideia da dimensão da asneira – com todo o respeito aos asnos –, nem para uma Libertadores inchada, com seis vagas em disputa no Brasileirão, o Corinthians conseguiu entrar, deixando para trás ainda mais receitas.

Balanço – Uma única comparação é suficiente para resumir a temporada. Depois de fechar o ano passado com 44 vitórias em 71 jogos disputados, ou 62%, em 2016 o Corinthians saiu vitorioso em apenas 30 das 70 partidas do ano, ou míseros 43%.

Em suma, um ano para se aprender com os erros. Se nada mudar em 2017, é rezar para não ir fazer companhia ao Inter na Série B de 2018.


One thought on “2016, um ano para se aprender com os erros

  1. Um desmonte físico quase total do time que levou a um desmonte moral de quem ficou e também da torcida. Quatro técnicos em apenas um ano. O que esperar de um time com esse histórico? Oras, só podia dar no que deu: não disputou nenhum título, não colocou medo em nenhum adversário e não se classificou pro Sul Americano de Várzea, que é um torneio que serve pra dar grana pro clube. Parabéns aos envolvidos. O Corinthians precisa voltar a ser o Time do Povo.

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