Jogo 5.325: Corinthians é campeão invicto da Libertadores

corinthians 2 x 0 boca

E então era isso que nos reservava a história? Esperar 35 anos (desde a primeira participação) para enfim ser campeão da Libertadores invicto em cima do Boca Juniors?

Desculpem-nos os antis, mas não foi em cima de Deportivo Cali ou de Atlético Paranaense, mas em cima do Boca Juniors com Riquelme, o mesmo que defenestrou Palmeiras, Santos e Grêmio não muito tempo atrás.

O show da histórica noite de 4 de julho de 2012 foi de Emerson Sheik, com direito a passe magistral de Danilo e uma roubada de bola daquelas que só quem está com a faca nos dentes é capaz. O resto é choro de perdedor.

É fato que rir da desgraça alheia está bem longe de ser uma atitude nobre, mas admito uma dificuldade pessoal em manter a compostura diante da incredulidade dos antis.

Simplesmente perderam o chão e agora enfrentam uma dificuldade bem maior para amalgamar um novo discurso para sufocar aquilo que intimamente não suportam: a felicidade popular. O ódio dos antis pelo Corinthians é apenas um modo amorfo e socialmente admitido de manifestarem desprezo pelo povo sem que sejam chamados a atenção para seu preconceito.

Ficaram sem chão, os antis, não apenas pelo fato de o Corinthians ter ganhado o campeonato sul-americano de várzea, aquele que segundo eles “nunca serão”. Ficaram sem chão pelo fato de o Corinthians, como aconteceu em outras conquistas, mal ter começado a ganhar o campeonato e logo de cara já ter saído como o maior campeão da história da Libertadores. Não em número de títulos, ainda, mas pela grandiosidade da conquista.

O Timão foi o primeiro campeão invicto da Libertadores desde 1978. Mas isso também é um detalhe. O Corinthians é o primeiro time a sagrar-se campeão invicto da Libertadores com 14 jogos em disputa.

Antes do Corinthians somente cinco times conquistaram o troféu sem perder nenhum jogo. Todos eles com muito menos partidas pelo caminho.

O Peñarol foi o primeiro, logo na primeira edição, em 1960. Para tanto, o time uruguaio disputou 7 jogos.

O segundo foi o Santos, em 1963, quando tornou-se bicampeão. Por ser defensor do título, conforme previa o regulamento da época, entrou já na semifinal e só entrou em campo 4 vezes.

No ano seguinte, o Independiente fez como o Peñarol e chegou ao título sem perder nenhum dos 7 jogos que disputou.

Já o Estudiantes foi campeão invicto duas vezes, em 1969 e 1970, em ambas como defensor de título. Como o Santos em 1963, o time argentino entrou já na semifinal e ganhou esses títulos com 4 jogos (somados os dois títulos, apenas um a mais da metade dos 14 que o Corinthians precisou ganhar para ser campeão).

O último foi o Boca Juniors, já em 1978, também como defensor de título, mas com 6 jogos no currículo.

Na sequência, o regulamento mudou e os campeões de Libertadores começaram a ter um caminho mais longo. Primeiro passaram a entrar nas oitavas-de-final e, a partir do ano 2000, passaram a ter que disputar a primeira fase também.

Parecia até que nunca mais a Libertadores veria um campeão invicto. Até que apareceu o Corinthians. Com 8 vitórias e 6 empates, o Timão entrou no rol de campeões da Libertadores já com os dois pés na porta, como o maior de todos eles. Como diria o ex-presidente Lula, “nunca antes na história” um time fez isso como o Corinthians.

Logo após a conquista, o técnico Tite disse que vai demorar muito tempo até alguém consequir reprisar o feito mosqueteiro em 2012. Não dá para prever o futuro, claro, mas o mais provável é que ele esteja certo.

Por isso minha dificuldade em conter o riso diante dos antis. Que venha agora o Mundial de Clubes,

Vai, Corinthians!!!


| Artilheiro do jogo: Emerson Sheik (2) |
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5 thoughts on “Jogo 5.325: Corinthians é campeão invicto da Libertadores

  1. Lembrar desse título em meio à Copa do Mundo só reforça meu sentimento de que o Corinthians é minha vida, minha história, meu amor. Aqui tem um bando de loucos, loucos por ti Corinthians. O Time do Povo que nasceu da união de pessoas humildes numa época em que o futebol era um esporte das elites. Desde o nascedouro, o Timão veio para desafiar o status quo de um Brasil desigual e injusto. A história do Corinthians é a prova de que o povo pode chegar aonde quiser. Um viva ao dr. Sócrates e à Democracia! À verdadeira democracia, que é aquela em que todos têm voz. Vai Corinthians!

  2. Não precisa muito. Só fechar os olhos e já me transporto para o 4 de julho de 2012. Lua maravilhosa, de São Jorge, iluminando o Pacaembu quase como um holofote particular. Não era mesmo uma noite comum. Fiquei de frente para a torcida do Boca, que fazia muito barulho, mas meu corpo estava ligado no Tobogã, abarrotado, imponente. Queria esticar a mão e saudar cada um daqueles loucos ali naquela noite, apoiados na faixa maravilhosa que dizia: TIME DO POVO.

    Três minutos de jogo e perdi o chão. Uma sensação estranha, quase um transe. Achei que poderia desmaiar. Respirei fundo e mentalizei os amigos corintianos que sabiam que eu estaria ali (Elias, Marinho e Ricardinho, em especial), lembrei do meu pai e de outros fiéis escudeiros que estavam ali comigo, só que dentro do coração. Pensei no que eles haviam passado, sofrido, chorado, gritado… e na responsabilidade de estar ali naquele momento. Eu não podia fraquejar. Nenhum corintiano poderia baixar a guarda um instante. Era a decisão da vida.

    Fomos bem no primeiro tempo. E veio o segundo. Vi os dois gols do Emerson bem de perto. No segundo gol, a explosão do estádio foi tão forte que pareceu um só grito, imponente, e com um força nunca vista. Mas ninguém cantou vitória antes. Tinha que ser inquestionável, exemplar, inédito, colossal. Em suma, precisava ser perfeito. E foi. Um título eterno. Parabéns, Corinthians! Parabéns, Fiel!

  3. Texto do Márcio é de sentir que a vida vale todas as penas quando se é corinthiano porque podemos ter uma noite longa mas sabemos que com a nossa raça a alvorada sempre vai chegar.

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